Ducati Hypermotard 1100 EVO SP: Superdesportivas

A família hypermotard cresceu e se desdobra em sua cilindrada de 1.100cc com uma surpreendente versão SP capaz de transmitir grandes emoções.

Não são bons tempos para as superdesportivas, mas Ducati ampliou sua gama Hypermotard com o modelo SP para atender as exigências de quem quer uma moto Sport sem as limitações e desconfortos de uma R. Uma aposta clara dos italianos pelo conceito inovador de sua Hypermotard, um estilo que pouco a pouco vai ganhando sua quota do mercado.

Família desportiva

A nova HM 796 que descobrimos nas proximidades da fábrica de Bolonha supõe os primeiro passo da família Hypermotard, que se unem a nova Hypermotard SP e a mais exclusiva SP Evo que tivemos a oportunidade de provar no pequeno circuito de Franco Suni Mores de 1.650 metros. Uma pista localizada na ilha de Sardenha, onde durante a apresentação do modelo anterior Rubén Xaus, então piloto da Ducati, levou a moto italiana ao limite e protagonizou muitas capas de revistas de todo o mundo. Como conceito, Hypermotard é um estilo de moto tipo Supermotard que, é visivelmente esportiva, não tem as limitações próprias de uma superesportiva em quanto à comodidade e manejo em um uso diário. As Hypermotard são fáceis, divertidas, versáteis e no caso da versão SP, que em Sardenha provamos com um escapamento Akrapovic, uma moto extraordinária capaz de satisfazer as expectativas dos usuários mais exigentes até mesmo em um circuito. Poucas motos com o guidão alto se mostram tão divertidas e efetivas em uma pista como a de Sardenha, onde a generosidade do motor Desmodue Evoluzione, as suspensões Öhlins e os freios Monobloco de Brembo a converte em uma supermoto tão efetiva com excitante.

Hypermotard 1100 Evo

A versão HM 1100Evo que foi apresentada oficialmente em Milão não é muito diferente do modelo anterior, mas é 7 kg mas leve, reduzindo 1.8kg do chassi e 5.2kg do motor, que com sistema Vacural ganha mais 5 CV de potência. O chassi foi modificado e está mais leve na parte traseira, conservando sua a habitual estrutura dos rígidos multitubular italianos e um braço oscilante monobraço de alumínio. O painel foi herdado da Streetfighter assim com os minimalistas botões. Em relação ao motor, o virabrequim herdado da 848 agora é 3.2kg mais leve, as tampas são de magnésio, a culata foi redesenhada e entre outras coisas, utiliza um única vela (antes eram duas). Os pistões são novos e o radiador tem um 85% mais de capacidade de resfriamento. Em quanto ao motor, a Evo SP comparte as mesmas modificações que a versão Evo, mas a moto que provamos em Sardenha estava equipada com um escapamento Akrapovic logicamente sem catalisador e sem modificações no modulo de injeção, que unida às suspensões de Öhlins (amortecedor Sachs em a Evo), fazem essa SP uma moto com um comportamento bem diferente.

Evo SP

Com a decoração esportiva e emblemática de Ducati Corse e salpicada de fibra de carbono, a versão SP da Hypermotard Evo destaca por montar uma forquilha totalmente regulável com barras de 50 mm e 30 mm com mais resistência que a versão Evo. O amortecedor traseiro com deposito de gás separado se une a um único braço oscilante de alumínio e com compressão ajustável, extensão e pré-carga da mola. Reforçando seu aspecto mais esportivo, as pinças de freio são Bermbo Monobloco como as das motos de Superbike com êmbolos de 34 mm que mordem dois discos de 305 mm. Esses vão montados sobre umas jantes forjadas de Marchesini muito leve que facilita uma condução mais esportiva como pede essa SP. Outro aspecto importante e que verificamos nesse primeiro contato é que os Pirelli Diablo Supercorsa, os mesmos que utilizam na Copa FIM de Superstock 1000, logicamente superiores aos Diablo Rosso da versão Evo, permite acelerar com mais agressividade. Na saída das curvas lentas, onde a Evo SP mantinha a trajetória da roda traseira com mais facilidade, na versão Evo, com uma condução mais agressiva, o pneu traseiro nos deu mais de um aviso... A versão Evo SP custa 2.200 euros mais que a Evo e tem de serie o receptor de dados DDA (Ducati Data Analyser) através de uma saída USB, que na versão Evo é um acessório – um datalogger- que serve para transferir os dados a um PC.

Dois caracteres diferentes

Mesmo compartindo o chassi e o motor, entre a Hypermotard Evo e a versão SP existem grandes diferenças. Na verdade são duas motos para públicos bem diferentes. Enquanto a versão Evo é mais polivalente, menos exigente e apta a um maior número de usuários, a mais exclusiva Evo SP é uma moto de circuito com um guidão mais largo e um comportamento mais esportivo. De entrada, a versão Evo permite chegar com os dois pés no chão, o guidão mais baixo e seu tamanho mais universal. Como toda a Hypermotard, o peso do corpo de carga sobre o trem dianteiro e os estribos, agora protegidos com borracha, fica mais baixa que na SP, assim como a distância do banco até o chão. Os dois modelos conservam os retrovisores retrácteis, que seguem sendo questionados em quanto à funcionalidade, mas que permite a Hypermotard dar uma agradável sensação de leveza. O painel herdado da Streetfighter é de tamanho reduzido, mais tem uma boa quantidade de informação, entre as que destacam a temperatura do óleo, crono, aviso das revisões e manutenções, os indicadores de quantos quilômetros podem ser recorridos com a reserva de combustível. Logicamente continua sendo uma moto versátil, ágil e divertida, tem chassi de nível avançado e agora o motor é mais completo. É uma boa moto para uso diário, com uma beleza arrebatadora e muito versátil. Apenas se critica a sua proteção aerodinâmica, que é quase zero. Poderia caber na família da naked, mas é mais leve, divertida e transmite uma sensação de controle que uma naked não proporciona.

Tudo tem seu preço

Está claro que 14.000 euros não são poucos para uma motos, mas no caso da Evo SP, asseguro que cada um desses euros está bem investido. A primeira surpresa que levei sentado nessa SP é que com meu 1.79 cm sentado sobre o banco chegava ao solo com as pontas dos dedos. O motivo tem que procurar nas suspensões de grandes percursos, que por outra parte são, sem dúvida nenhuma, o melhor da SP. Com o escapamento Termignoni, a pureza e simplicidade das linhas dessa SP exaltam ainda mais sua estética. O som do ronco que emite é algo celestial... Mas não deixa de ser surpreendente que nenhuma das motos que provamos tinha o escapamento original que, é igual que o da versão Evo, mas na SP tem uma dupla saída. Com uma maior altura ao solo, o guidão mais alto, as suspensões de um nível superior e uns equipamentos de freios de primeira, a SP é uma autentica delicia. Em relação ao motor, o escape e o modulo de injeção lhe dar um caráter mais alegre, mas não se diferencia muito da versão Evo. Mas o som é fantástico, colocar as marchas e sair das curvas lentas acelerando fundo é um prazer.

Emocionante

A moto é mais manejável, as trocas de marcha são muitos mais rápidas e as suspensões se adaptam ao terreno com mais facilidade, te permitem uma condução mais agressiva, mais ao estilo supermotard. Me explico. Nas freadas, a transferência de peso é mais evidente e freando forte de frente, a SP te pede posicionar as rodas de trás e encarar a moto em sentido da curva... Logicamente tudo isso em um circuito fechado, mas é que essa SP é uma moto de circuito, com umas suspensões com um toque requintado e com um freio muito potente e progressivo que transmite uma grande sensação de controle. Em Sardenha provei primeiro a versão SP e quando subi a Evo, se levava as referências da SP, passava da freada até me acostumar com o conjunto de freios mais simples da Evo. Além de que com a Evo não se pode inclinar tanto, já que os pedais com muito antes o chão e, portanto, devia modificar minha formada de pilotagem: definitivamente ficaria com a SP, mas para isso deveria revisar o saldo da minha conta... Em definitivo, Ducati aposta forte pela família Hypermotard para ter uma alternativa as superesportivas, que estão passando por um momento delicado e podem oferecer seus encantos aos usuários das naked Monster. A versão standard é uma moto versátil, do meu ponto de vista, deve ser mais tida em conta. A versão SP é simplesmente fantástica e sua versão cromática Ducati Corse, toda uma declaração de princípios.

Alex Medina

12/04/2010
 

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